29 de mai. de 2013

As Virgens Suicidas





Segunda, terminei de ler. Terça, terminei de ver. Quarta, consegui digerir. Esta foi a sequência-tempo da minha relação com a obra “As Virgens Suicidas”, que me ouso resumir em três palavras: intrigante, sensível, reflexivo. Obrigada Jeffrey Eugenides. Obrigada Sofia Coppola.

Nas milhares de idas pela Livraria Cultura , me deparo com uma capa linda e um título intrigante. Enquanto esperava umas amigas, comecei a ler “As Virgens Suicidas” despretensiosamente, e claro, não quis largar mais, levei para a casa.

Informações livro:

Título original: The Virgin Suicides - trad. "As Virgens Suicidas"
Autor: Jeffrey Eugenides
Tradutor: Daniel Pellizzari
Editora: Cia das Letras
Páginas: 232
ISBN: 9788535922196
Publicação: 1ª Ed. – 2013

Sinopse: Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrida no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida.



Jeffrey nos envolve em um drama mórbido de maneira espetacular. A narrativa criada por ele, nos leva para um ambiente adolescente-feminino cheio de fragilidades e desejos que nos prende do começo ao fim. E como ele consegue isso? Com um combo que envolve: talento + um narrador central + um cuidado ímpar com os detalhes . Em cada palavra, parágrafo, e virada de página, conseguimos sentir o cheiro das coisas, ver todas as cores, e desenvolver uma trilha para cada momento.

A história é toda costurada através da perspectiva de um grupo de meninos, que possui uma paixão platônica pelas irmãs Lisbon (Mary, Lux, Bonnie, Therese, Cecilia) – own! O grupo tenta recriar o universo das meninas, passa a colher depoimento e informações de outros personagens, e a resgatar o máximo de objetos pessoais das irmãs. Tudo isso para se aproximar de alguma forma delas – pessoalmente não era tão fácil-, tentar encaixar o quebra-cabeça sobre as motivações que levaram elas ao suicídio, e repensar suas vidas.

Portanto, temos uma leitura dos acontecimentos que se desenrolaram até a tragédia. Mas, não embarque com a expectativa de que você terá todas as respostas, e que vai desvendar o que se passou na cabeça das meninas, não! O autor convida você a completar sua leitura, refletir sobre o assunto, tudo de forma subjetiva. ACHEI ÓTIMO ISSO, pois nunca temos exatidão diante de um drama pessoal do outro, e nem uma resposta fiel para algo tão complexo, como o suicídio. Tudo é muito teorizado, relativizado e cheio de “achismos”.



Meu “achismo” final: Fica claro – para mim- que o motivo principal da tragédia foi a vida com 0 expectativas que as meninas levavam enclausuradas naquela casa decadente. Claro que não ia sair algo bom de uma vida que só envolvia na rotina apenas dois lugares: casa e igreja, sem nenhum convívio social ou atividades extras. As garotas Lisbon só possuíam excesso de cuidado, opressão, uma mãe super rígida e um pai bananão. O livro também traz críticas sobre como a sociedade se comporta diante dessas tragédias, e o comportamento da mídia – sempre sensacionalista-, tentando se aproveita de pequenos acontecimentos para criar todo um circo.



Depois da leitura, CLARO, corri para ver o primeiro longa de Sofia Coppola, que conseguiu transmitir tudo de forma linda e poética, até os pequenos detalhes. Definitivamente, Coppola sabe transmitir o universo feminino como ninguém. Esse filme vai para o meu ranking das melhores adaptações para cinema (que normalmente nunca é 100% bom), óbvio que algumas partes foram modificadas – final de Mary-, mas NADA que tirasse a essência dramática do livro. Não sei responder se tivesse visto o filme primeiro eu ia gostar tanto, ou ia ficar menos claro certas coisas, mas enfim, na ordem que fiz, gostei de tudo, e logo, devo rever e reler essa história.



Informações filme:

Título original: The Virgin Suicides
Diretor: Sofia Coppola - Diretora também em: Encontros e Desencontros / Maria Antonieta / Um Lugar Qualquer / The Bling Ring ~Estreia 12 de Julho deste ano!~
Roteiro: Jeffrey Eugenides e Sofia Coppola
Duração: 97 min
Ano: 1999


Trailer:




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